22/10/2012

[Resenha] Puros - Julianna Baggott

Puros
Julianna Baggott
Editora Intrínseca
368 páginas

Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos de uma antiga barbearia em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido — como um mundo com parques incríveis, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras, corpos mutilados e fundidos. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar, abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída é fugir.

Houve, porém, quem escapasse ileso do Apocalipse.

Esses são os Puros, mantidos a salvo das cinzas pelo Domo, que protege seus corpos saudáveis e superiores. Partridge é um desses privilegiados, mas não se sente assim. Filho de um dos homens mais influentes do Domo, ele, assim como Pressia, pensa nas perdas. Talvez porque sua própria família se desfez: o pai é emocionalmente distante, o irmão cometeu o suicídio e a mãe não conseguiu chegar ao abrigo do Domo. Ou talvez seja a claustrofobia, a sensação de que o Domo se transformou em uma prisão de regras extremamente rígidas. Quando uma frase dita sem querer dá a entender que sua mãe pode estar viva, ele arrisca tudo e sai à sua procura.

Dois universos opostos se chocam quando Pressia e Partridge se encontram. Porém, eles logo percebem que para alcançarem o que desejam — e continuar vivos — precisarão unir suas forças.

Puros é uma distopia, a nova moda literária, e por amar livros do gênero resolvi lê-lo. De início, nós percebemos que o enredo não segue a linha de outras distopias. Puros não é sobre um futuro onde as pessoas apenas sofrem com a fome e com a pobreza, mas é um futuro onde explosões fizeram com que humanos se fundissem com objetos e que a realidade é muito mais difícil do que pensamos. Outra diferença é que a autora preferiu aprofundar bastante no catástrofe que deu origem aos problemas e explicá-lo completamente, e deixou de lado os romances para mostrar o quão duro, perigoso e autoritário este futuro ficou.

A narrativa é feita pela própria autora, mas ela dá a cada capítulo um título que é o nome do personagem que terá a situação contada. Entre eles: Pressia, Partridge, El Capitán e Lyda.  

Pressia é a típica heroína que estamos acostumados a ver no gênero distopia, mas esta é um tanto frágil e solitária. Partrigde é um Puro, por isso é inocente e não está acostumado com os problemas que enfrentará fora do Domo. El Capitán, é um tanto chato e nada simpatizante, pelo menos foi o que achei. E por fim, Lyda, que protagonizou minhas partes favoritas do livro, já que ela passou por momentos tensos e desesperadores, o que me deixou com um frio na barriga. Todas as perspectivas são importantes e se juntam em certo ponto do livro. 

A autora conseguiu muito bem descrever os locais e a cultura que ela criou, fazendo tudo se interagir com os personagens e suas características. Ela não erra ao apresentar algumas situações do passado que terão impacto no presente durante a leitura, o que deixa o leitor empolgado por formar hipóteses e descobrir respostas por si mesmo.

O grande problema de Puros foi o ínicio parado e que deixa o leitor sem reação, eu não entendia nada do que lia. Julianna Baggott é uma ótima autora, mas escreve de uma forma muito poética e muito complexa, que pode causar desconforto e cansaço no começo, mas quando se pega o ritmo a leitura flui rapidamente. O final também deixou um pouco a desejar, já que foi sem sentido e difícil de entender. A autora fala muito sobre tecnologias que a NASA entenderia, mas que um leitor comum fica com cara de bobo. E ela termina de uma maneira de tirar o fôlego, mas nos deixa desinformado sobre o que realmente está acontecendo.

Ao todo, Puros é sim um livro que eu recomendo, é realmente muito bom e ignorando as partes que a autora teve um surto de professora que explica uma matéria complicada, a escrita de Julianna é ótima e ela soube criar uma trama muito bem amarrada que deixa os leitores sem fôlego em suspense, ação, mistérios e revelações surpreendentes. Possui um potencial ótimo para fazer jus ao gênero distopia já que abusa do sombrio, do autoritarismo e dos massacres. Com certeza quem o lê percebe o quanto é bom e fica com aquela curiosidade para o próximo livro, já que Julianna caprichou na ponte e nas perguntas que ficaram para o próximo volume. Vale a pena dar uma chance!

Um comentário:

Arthur Numeriano disse...

Gostei bastante da maneira como a Julianna abordou o tema distópico. De uma certa forma foi diferente das últimas distopias do momento. Entretanto, tem um ponto que me incomodou bastante: a história tem muitos buracos! A autora precisa ter mais atenção ao escrever um livro sem deixar passar detalhes importantes que servem para construir e consolidar o universo criado.

Fora isso, o livro é, sim, recomendado. Aguardo ansioso por Fuse.

 
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