03/04/2013

Filme #28 - Precisamos Falar Sobre o Kevin




Precisamos Falar Sobre o Kevin
Duração: 110 minutos
Gênero: Drama, Suspense
Com: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller
Direção: Lynne Ramsay
Ano: 2012

Quando ocorre alguma terrível tragédia, como um massacre por exemplo, busca-se um motivo no passado para que um ato tão horrível tenha acontecido. O passado do autor é vasculhado em busca de evidências de bullying, maus tratos dos pais ou qualquer consequência de algum trauma. Mas e se nenhuma explicação existir? Afinal, estamos falando sobre a mente humana e ela é uma incógnita. Para alguns, o simples ato de causar o terror e o mal já o suficiente para o prazer próprio.

Desde os primeiros minutos de Precisamos Falar Sobre o Kevin sabemos que algo está errado. Muito errado. A cena inicial apresenta Eva (Tilda Swinton) em meio a uma multidão suja de vermelho, o que nos lembra sangue. Depois disso uma sucessão de cenas que intercalam o passado e o presente são moldadas para que um quebra-cabeça revele a situação que estamos presenciando. No passado Eva teve uma vida infeliz ao lado do marido Franklin (John C. Reilly). Mas algo muito grave aconteceu para que sua vida chegasse ao que é agora. Seu nome é Kevin, o primeiro filho do casal.

Desde pequeno Kevin teve um comportamente estranho. Seu olhar profundo e maligno o denuncia já de início, principalmente quando sua maior implicância é com sua mãe. Eva, por sua vez, se demonstra preocupada e irritada com as atitudes do filho, o que as vezes a leva a ter atitudes desagradáveis com ele, como por exemplo jogá-lo na parede. São cenas assim que demonstram o quanto o filme é profundo e forte e o quão triste é esta relação de ódio entre mãe e filho.

O enredo do filme é revelado aos poucos, de forma que o telespectador pode criar conclusões em sua mente e só as terá reveladas nos minutos finais, criando assim uma sensação desesperadora e incomodante a aqueles que assistem. Os atos de Kevin, por mais que sejam imaginados, sempre surpreendem, pela materialização da maldade pura. Não há justificativa, há apenas o prazer sem compromisso com o futuro. Ou, como o próprio Kevin diz, “That’s no point. That’s the point”. Simples assim, o que torna tudo ainda mais assustador.

A atuação de Tilda é digna de um Oscar. Ela demonstra diante da tela toda a preocupação e insegurança de uma mãe que tem um filho que não é normal. Destaque também para a escolha precisa dos dois intérpretes de Kevin. Jasper Newell, quando criança, e Ezra Miller, já adolescente, têm atuações impressionantes, transmitindo com o olhar o cinismo do personagem.

Um filme perturbador, não apenas pela história em si mas pela inexistência de um motivo, seja ele qual for. O que deixa qualquer um pensando por um bom tempo depois dos créditos finais: A culpa é da mãe que não deu atenção e carinho a seu filho? ou Kevin que criou por si próprio sua mentalidade psicótica? A mensagem do filme é clara: a constatação de que a mente humana, que pode produzir tantas maravilhas, é também capaz das maiores atrocidades. Basta querer. Excelente filme!

8 comentários:

Kelry Caroline disse...

Me parece bem tremendo o filme, gosto de um suspense, mas o filme me deu medo!!

Rieri Frugieri disse...

Kelry, o filme é um suspense que não dá medo. Só causa umas sensações desesperadoras e meio surpresas pelo que o Kevin faz, mas nada que impeça uma boa noite de sono UASHAU

Thyale Ferraz disse...

Adoro filmes que pegam esse lado psicológico, e a gente acaba criando e procurando um porque para aqueles atos. Adorei, vou anotar o nome do filme para assistir-lo depois.

Lucas Carvalho disse...

Eu não estava dando muito moral para o livro e nem para o filme, agora muito menos. hahaha. Não faz o meu estilo de filme e eu sempre fico muito perturbado com esses enredos de dramas psicóticos. Eu provavelmente ia adorar o pequeno Kevin, mas ao mesmo tempo repudiá-lo. O final também não é explícito, o que me deixaria nervoso. Embora esses fatos tiram minha vontade de ver, creio que atuação dos atores é excelente, produzir um filme nesse nível é de muita exigência. Tildaaaa <3 (não consigo olhar pra ela e não lembrar da feiticeira branca, kkk)

Rieri Frugieri disse...

SIMMM EU TAMBÉM FICAVA TIPO: FEITICEIRA BRANCAAAA

Vanessa Llona disse...

Esse filme parece tenso, já ouvi falar bastante dele, mas nunca assisti, gosto de suspense, mas esse conflito entre mãe e filho parece muito forte.

Bel Ribeiro disse...

Eu gosto de chamar esse filme de "método anticoncepcional mais eficiente do mundo". Cadê coragem de ter filho depois de assistir isso?

Manu Hitz disse...

Olha, não quis ver o filme nem ler o livro. Sei lá, tenho um filho adolescente e, sendo chorona e sensível como sei que sou, acho q será um tanto doloroso pra mim... acompanhar o drama dessa família dói em mim.

 
Minima Color Base por Layous Ceu Azul & Blogger Team