05/01/2015

[Texto] A Voz e o Mundo de Tris


Introdução
por Rieri Frugieri

Como muitos que me acompanham sabem, eu estudo tradução. Sou apaixonado por tudo que faço na faculdade e tudo que aprendo a respeito deste universo que engloba tudo o que eu mais amo: livros. A respeito disso, sempre que me deparo com alguma editora ou blog falando sobre tradução, eu fico empolgado e orgulhoso pelo fato da profissão crescer e se destacar cada vez mais. Tradução é, sim, algo que já está sendo comentado como algo normal do dia-a-dia e isso tende a se tornar cada vez mais comum, trazendo o reconhecimento da profissão e daqueles que a fazem tão bem.

Quando vi esse texto no site da Rocco, achei-o incrível. Afinal, além de poder conhecer mais sobre um tradutor e seu processo tradutório, este é o tradutor de Divergente, uma das minhas trilogias favoritas. Por conta disso, gostaria de compartilhar com vocês, que acompanham o blog, esse texto incrível sobre a tradução de Divergente. Confiram abaixo:


A Voz e o Mundo de Tris
por Lucas Peterson
Fonte: Site Rocco

Quando me vi, pela primeira vez, diante das palavras “There is one mirror in my house”, que abrem o primeiro livro da trilogia Divergente, de Veronica Roth, comecei a pensar em como adaptar da maneira mais fiel possível a voz daquela menina diante do espelho. Nunca havia traduzido algo tão vasto, não apenas na quantidade total de páginas, mas também no seu alcance e receptividade, e, principalmente, na imensidão do universo vivido por aquelas personagens. É claro que, como Beatrice (àquela altura, ela ainda era Beatrice para mim), eu ainda não tinha como compreender o tamanho da aventura e dos desafios que enfrentaria. Eu ainda nem sabia que traduziria o segundo livro.

Foi através dos olhos de Tris e das palavras de Roth que passeei por aquelas ruas ermas, explorei aqueles edifícios misteriosos e viajei por aqueles trilhos elevados, à procura dos caminhos em português que mais se assemelhavam aos descritos pela autora, e evitando atalhos e retenções. De repente, notei que aquele cenário não era tão desconhecido para mim, e logo percebi por quê. Durante a minha infância, parte da minha família morava em Chicago, e fui visitá-la algumas vezes. Parecia que, passados tantos anos, eu estava revisitando a cidade, e o que encontrei foi um lugar muito mais perigoso e fascinante.

Durante o processo de traduzir os três livros da série e os contos que a acompanham, passei mais tempo nesse cenário do que jamais passei em qualquer outro universo fictício, seja como tradutor ou como leitor (talvez o mais próximo que cheguei como leitor tenha sido na Westeros, d’As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin). É estranho passar tantos meses, tantas horas dos meus dias, dentro de um universo criado por outra pessoa, mas sinto que isso me ajudou a compreender melhor as facções, suas motivações, fraquezas e razões de existir, e certamente a conhecer melhor as personagens (entre as quais, minhas preferidas são Tori, que merecia um livro só dela, Caleb, cujas escolhas, certas ou erradas, pareceram-me as mais difíceis, e os irmãos Uriah e Zeke, só porque eles são muito maneiros). Durante o caminho, isso me ajudou a traduzir os livros um pouco melhor. Acabado o trabalho, acho que sentirei saudades desse universo. Mas poderei então, agora como leitor, pegar um dos livros da estante e revisitá-lo sempre que quiser.

Lucas Peterson é tradutor dos três livros e dois contos (A Transferência e Quatro Medos) da série Divergente, de Veronica Roth.

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